Realidade aumentada e planeamento digital em estruturas temporárias para eventos

Mais segurança e menos imprevistos

Nos últimos anos, a indústria de eventos tem experimentado um crescimento sustentado, tanto em número como em dimensão dos projetos. Esta evolução aumentou as exigências técnicas das estruturas temporárias.

Festivais, concertos, congressos e eventos institucionais exigem hoje soluções que permitam uma montagem rápida, garantam estabilidade estrutural e cumpram os mais elevados padrões de segurança para o público e as equipas técnicas.

Neste contexto, a tecnologia fornece ferramentas que permitem responder a essa maior exigência. A realidade aumentada e os sistemas digitais de planeamento facilitam o projeto, o cálculo e a coordenação de estruturas temporárias cada vez mais complexas. Estas ferramentas estão a mudar a forma de projetar, calcular e montar andaimes para eventos. A vantagem tangível deste nível de digitalização é que permite antecipar problemas antes que eles surjam na obra. Além disso, proporcionam uma capacidade escalável de otimizar os tempos e reduzir a incerteza em projetos onde cada hora conta.

Eventos mais complexos, estruturas mais exigentes

Os andaimes para os eventos atuais não são simples estruturas auxiliares. Os sistemas de andaimes fazem parte do próprio funcionamento do espetáculo ou da instalação técnica. Eles tornam-se parte do evento e, em alguns casos, atuam como mais um protagonista. 

Por isso, os andaimes devem integrar-se com palcos, sistemas de iluminação, ecrãs LED, estruturas de rigging, passarelas de acesso e zonas transitáveis para o público. Para que o andaime alcance com sucesso este novo nível de integração no espetáculo, a configuração da estrutura exige:

  • Alta precisão no design
  • Rapidez de montagem e desmontagem
  • Adaptação a cada localização
  • Cumprimento rigoroso das normas

Ao contrário do ambiente de obra tradicional, nos eventos o fator tempo assume um significado único. Os prazos para concluir a execução são fechados e inalteráveis. Além disso, o espaço é geralmente partilhado com outras equipas técnicas e não há margem para improvisações.

Por que o planeamento tradicional já não é suficiente?

Durante anos, o projeto de estruturas temporárias baseou-se em planos 2D, experiência técnica e verificações no terreno. Este método continua a ser válido, no entanto, o projeto bidimensional apresenta limitações quando a complexidade do evento aumenta. Rapidamente, as equipas enfrentam:

  • Dificuldades em detetar interferências no local
  • Ajustes improvisados na montagem
  • Falta de coordenação entre engenharia e produção
  • Riscos não detetados até ao avanço da montagem

Quase por norma geral, em eventos de grande formato intervêm múltiplas disciplinas técnicas. Aí, quando cada recurso é escasso, o planeamento convencional pode ficar aquém. Por isso, a digitalização permite passar de uma abordagem reativa para uma preditiva, onde os problemas são resolvidos antes de chegarem ao local da obra.

Realidade aumentada: visualizar antes de montar

A realidade aumentada aplicada a andaimes para eventos permite sobrepor o modelo digital ao espaço real onde o evento será realizado. Isso oferece uma visão precisa e com alto nível de detalhe de como a estrutura se integrará ao seu ambiente real.

Através de soluções como o PERI Extended Experience, esta visualização digital permite que as equipas técnicas analisem o projeto antes de iniciar a montagem física. Através de uma ferramenta intuitiva e versátil, é possível verificar:

  • Alturas reais em relação a palcos ou coberturas
  • Integração com estruturas existentes
  • Compatibilidade com acessos e passarelas
  • Possíveis interferências com instalações técnicas

A visualização antecipada da montagem reduz a incerteza técnica e permite detetar ajustes necessários numa fase inicial. As modificações são feitas no modelo digital, evitando alterações dispendiosas ou decisões improvisadas durante a execução na obra.

Do modelo 3D à obra: planeamento completo da montagem

O modelo 3D e as ferramentas BIM não servem apenas para projetar a estrutura final. Eles também permitem planejar todo o processo de montagem, passo a passo. Por meio desse tipo de simulação, é possível definir:

  • A ordem de montagem
  • Os pontos críticos de estabilidade temporária
  • As necessidades de reforço provisório
  • A logística de materiais e acessos

O modelo 3D melhora a coordenação entre equipas e reduz os tempos de inatividade. Cada fase da montagem é prevista, calculada e executada num ambiente controlado. A longo prazo, isso proporciona maior controlo em projetos com prazos muito apertados.

Acessos e evacuações integrados desde a fase de projeto

Um fator que não pode ser ignorado em eventos abertos ao público são os acessos e as rotas de evacuação. Esses elementos críticos exigem a intervenção do planeamento digital, o que permite:

  • Projetar escadas e rampas desde o início
  • Verificar percursos de evacuação
  • Ajustar os fluxos de circulação de pessoas

Desta forma, a segurança não é deixada para o final do projeto ou como um ponto secundário. Com as ferramentas digitais, ela faz parte do projeto desde a fase conceitual.

Coordenação entre engenharia, produção e montagem

Um dos benefícios mais evidentes das ferramentas de planeamento digital é que todos os intervenientes trabalham com base num modelo partilhado. As equipas de engenharia, produção e montagem têm acesso às mesmas informações atualizadas. Em cada fase do processo, são reduzidos:

  • Erros de interpretação
  • Alterações de última hora
  • Desajustes entre o projeto e a execução

O resultado é uma execução mais fluida e previsível, algo essencial quando diferentes fornecedores e equipas técnicas estão envolvidos.

Análise estrutural avançada: antecipar riscos

O planeamento digital também permite simular cargas e condições reais antes de montar a estrutura.

Simulação de cargas

As plataformas de eventos devem suportar:

  • Equipamentos técnicos
  • Elementos suspensos
  • Movimento de pessoas

As ferramentas digitais permitem calcular cargas distribuídas e pontuais com precisão, antes de transportar o material para o local.

Avaliação do vento em estruturas exteriores

Em eventos ao ar livre, o vento é um fator crítico. Através de simulações, é possível:

  • Analisar a exposição de acordo com o local
  • Avaliar a pressão sobre as superfícies
  • Ajustar fixações e reforços

Esta previsão reduz o risco de instabilidade e permite tomar decisões técnicas com antecedência.

Benefícios da digitalização em eventos

A aplicação da realidade aumentada e do planeamento digital tem impactos diretos no desenvolvimento dos projetos.

Maior segurança

Ao detetar riscos na fase de conceção, reduzem-se os potenciais incidentes durante a montagem e a utilização pública.

Menos imprevistos

Quando os problemas são resolvidos no modelo digital, diminuem as modificações em tempo real. Isto proporciona um maior controlo sobre o orçamento e o calendário.

Economia de tempo

Um planeamento otimizado reduz os tempos de montagem e desmontagem, algo fundamental em eventos com prazos muito apertados.

Melhor coordenação operacional

A informação partilhada entre todas as equipas melhora a comunicação e facilita uma execução mais organizada.

O caminho para estruturas temporárias mais seguras e previsíveis

A evolução do setor de eventos aponta para montagens cada vez mais tecnológicas e exigentes. As estruturas temporárias devem responder com o mesmo nível de precisão e planeamento.

A combinação de engenharia especializada, modelo 3D, realidade aumentada e simulação estrutural avançada permite antecipar riscos, otimizar tempos e melhorar a coordenação entre equipas. Num ambiente onde a segurança do público e do pessoal técnico é prioritária, o planeamento digital torna-se uma ferramenta fundamental para reduzir imprevistos e aumentar a fiabilidade de cada projeto.